Área do Associado Entrar
PRONAMPE foi insuficiente para micro e pequenos negócios

PRONAMPE foi insuficiente para micro e pequenos negócios

Micro e pequenas empresas de Nova Friburgo não recorreram à linha de crédito ou não conseguiram acesso

Publicado em 25/09/2020

Muitas empresas não conseguiram resistir aos efeitos da pandemia. Pagar as contas e manter com seus compromissos, com uma arrecadação escassa é uma missão que poucos alcançaram.

Cerca de 716 mil empresas brasileiras encerraram suas atividades durante o período de pandemia, segundo levantamento do SEBRAE. Sendo 99% desse total formado por micro e pequenas empresas.

A fim de mitigar a falta de recursos e destinado ao pequeno empresário, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, PRONAMPE, garantiu uma linha de crédito, com prazo de pagamento em até 36 meses a uma taxa de juros menor que a praticada no mercado.

Garantido pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO), o PRONAMPE disponibilizou em sua primeira fase 18,7 bilhões de reais, sendo realizadas mais de 218 mil operações de crédito, somente no período de 17 de junho a 17 de julho. Já na segunda fase, a disponibilização é de R$ 12 bilhões. Em menos de uma semana, os bancos já afirmavam que o dinheiro está esgotado, tamanha a demanda. Restando atualmente cerca de R$ 300 milhões disponíveis.

Muitas empresas conseguiram acesso ao crédito, porém muitas outras ficaram de fora por falta de garantias, ou até mesmo pelo valor liberado estar muito aquém do que a empresa teria direito e necessidade.

“Consegui acesso ao crédito, porém o valor liberado ficou bem abaixo do que a empresa teria direito. No entanto, optei por não contratar, visto que consegui passar por este período com recursos próprios e também por ter achado o desconto do seguro muito elevado.” Informa Gustavo Souza, proprietário da Cacau Show em Nova Friburgo.

Júlio Cordeiro, presidente da ACIANF e proprietário da Toyoserra, afirma que programa foi um dos melhores criados pelo governo, mas que algumas empresas receberam um valor abaixo do que teriam direito, até mesmo por falta de recursos: “O PRONAMPE foi talvez o melhor programa, mais direto e menos burocrático que o governo elaborou nesta época de pandemia e foi criado especificamente para beneficiar o pequeno e o microempreendedor. É evidente que mesmo após o segundo aporte disponível, os valores não foram suficiente para suprir toda a demanda de recursos e os que poderiam acessar um recurso maior, tiveram um corte em suas verbas para que se pudesse atender um maior número de empresas. Aqui em Nova Friburgo foi emprestado um bom montante, mas fica sempre a frustração a quem não conseguiu acesso ao crédito e também às empresas que não conseguiram pegar sua totalidade projetada pelo programa.”

Já Rafael Spinelli, sócio diretor da PBS Brasil, informa que tentou, mas não conseguiu concluir o processo de contratação: “Tentamos. Porém houve uma pendência burocrática e quando esclarecemos já não havia recurso disponível.”

Luiz Almeida, proprietário do Rei das Esquadrias, informa que conseguiu fazer o empréstimo, porém um pouco abaixo do valor que o governo inicialmente disse que liberaria, e que mesmo assim, trouxe benefícios para seu negócio, como a possibilidade de efetuar compras à vista com os fornecedores e facilitar o pagamento aos seus clientes. Luiz protesta porém, o valor do seguro cobrado: “Os bancos exigiram um valor de seguro da operação, que foi abatido do valor líquido creditado em conta corrente. Muito embora eu tenha conseguido negociar este valor, acreditei que não seria cobrado nada referente à isso, já que o governo seria o garantidor da operação.”

Luiz aponta ainda que alguns setores são mais prejudicados e isso limita a contratação: “Existem setores mais prejudicados do que outros e os bancos acabam limitando o crédito por causa do problema que essas empresas irão passar. Muito conflitante isso, já que o objetivo era ajudar principalmente essas empresas.”

Responsáveis por mais da metade dos empregos formais no país, as micro e pequenas empresas viram no PRONAMPE uma chance de sobreviver à crise gerada pela pandemia e por consequência, diminuir a extinção de postos de trabalho. Mas apesar de um programa muito importante, o PRONAMPE se mostra insuficiente.

Para se tornar um programa exitoso, empresários defendem uma redução da burocracia e ampliação de bases de garantia, como a criação de programas de garantia robustos, para que os bancos possam conceder empréstimos para essa categoria.

Voltar