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Conselho de Agronegócio da Firjan apresenta diagnóstico do mercado Agro Fluminense

Conselho de Agronegócio da Firjan apresenta diagnóstico do mercado Agro Fluminense

Estudo “Diagnóstico do Agronegócio Fluminense”, realizado pela FGV Agro a pedido da Firjan e Faerj, fez um mapeamento que identificou forte queda na área plantada do Rio, mas também oportunidades de desenvolvimento da cadeia produtiva

Publicado em 05/05/2022

FONTE: Assessoria de Imprensa FIRJAN

Um estudo encomendado pela Firjan e pela Federação da Agricultura do Estado (Faerj) à FGV Agro, diagnosticou o estado atual do agronegócio fluminense – que ao longo de 25 anos, perdeu R$ 1 bilhão em valor de produção e teve a maior redução de área plantada do Brasil. O “Diagnóstico do Agronegócio Fluminense”, apresentado na reunião do Conselho Empresarial de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan, é o primeiro passo na busca por um plano de ação para revitalizar as cadeias produtivas do agronegócio fluminense, tendo em vista que o Rio é o segundo maior mercado consumidor do Brasil.

O estudo mostra o Rio na última colocação do país em quantidade de área plantada. Ao longo de 25 anos, de 1995 a 2020, a queda foi de -62,4%, a maior redução do Brasil - enquanto a média nacional aumentou em proporções semelhantes (+60,8%), o que gerou uma perda de R$ 1 bilhão no período, considerando os dados já deflacionados. Em termos de valor real de produção, o estado está na antepenúltima colocação (-32,2%). Para o Conselho de Agronegócio da Firjan, esta é uma amostra da urgência em se recuperar o setor, que tem um enorme potencial, após décadas de falta de investimentos dos governos e da ausência de políticas públicas voltadas ao Agronegócio e à Indústria de Alimentos.

“É fundamental nos debruçarmos sobre essas informações para, não só alavancarmos as indústrias já instaladas, como também atrair novos atores para a cadeia de valor. E para isso, a já anunciada Estrada de Ferro 118 será fundamental para trazer insumos, por exemplo, melhorando a nossa competitividade. Temos um enorme desafio pela frente, mas com plena capacidade de ser desenvolvido – e o estudo é a base para todo o trabalho a ser feito”, destacou o presidente em exercício da Firjan, Luiz Césio Caetano.

“Este estudo é um primeiro passo para desenvolvermos propostas concretas que revitalizem o agronegócio fluminense. Comprovamos o quanto o setor encolheu nas últimas décadas, e nosso desafio passa, por exemplo, na revisão de questões tributárias. Mas temos um enorme potencial a ser explorado, e isso significa novas oportunidades e uma maior diversificação da economia fluminense”, afirmou Antonio Carlos Celles Cordeiro, presidente do Conselho.

Em versão preliminar, este foi o primeiro módulo do “Diagnóstico do Agronegócio Fluminense”. O próximo passo é uma análise por parte dos membros do Conselho de Agronegócios da Firjan, que vão eleger cinco principais cadeias produtivas para serem alvo de um segundo módulo do estudo, com o objetivo de se aprofundar nos dados e definir as propostas de políticas públicas e desenvolvimentistas em prol do setor.

“A representatividade nacional de alguns segmentos não é compatível com o segundo maior mercado consumidor do país, que é o estado do Rio. Por isso, vamos nos debruçar para verificar a melhor forma de explorar esse potencial e identificar os obstáculos que impedem o desenvolvimento”, acrescentou o pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV, Felippe Serigati.

A reunião do Conselho, na qual o estudo foi apresentado, contou com representantes de diversas indústrias fluminenses, além do vice-presidente da Faerj, Maurício Cezar Gomes de Salles, do gerente de projetos da FGV Agro, Giuliano Senatore, e do diretor de Relações Institucionais da Firjan, Márcio Fortes, que comemorou a iniciativa:

“Trata-se de um instrumento de grande valor para pensarmos soluções, produto a produto, e assim avançarmos no desenvolvimento setorial”, afirmou.

Rio, importador de alimentos
Um exemplo da queda de produção – e do potencial – do agronegócio fluminense se revela em itens como ovos e leite, dos quais o Rio se tornou grande “importador” de outros estados. Em 2020, a estimativa de consumo anual no estado foi, respectivamente, de mais de 4 bilhões de unidades e 2,8 bilhões de litros – enquanto a agroindústria fluminense produziu 216 milhões de unidades e 443 milhões litros. Ou seja, a produção fluminense é capaz de atender apenas 5,4% da demanda interna de ovos, e 15,4% da de leite - o que, por outro lado, demonstra o tamanho do potencial de desenvolvimento da agroindústria do Rio.

Café: Rio tem a sexta maior produtividade do país
O estudo também destaca os produtos que mais têm valor de produção no agronegócio fluminense, como o café arábica: o estado do Rio está entre as seis unidades da federação com maior produtividade, e alcançou a segunda maior área plantada do estado (11,2%) – atrás apenas da cana-de-açúcar (48,4%). Mas o café germinado em solo fluminense representa apenas 0,4% do valor de produção agrícola nacional.

Um dos exemplos do potencial fluminense vem do Noroeste, responsável por cerca de 80% da produção de café do Rio, num total de R$ 75,8 milhões em receita anual. Só o município de Varre-Sai responde por 45% do cultivo estadual, de acordo com a Emater-Rio. Para chegar ao atual patamar, os produtores locais investiram em genética de mudas, controle sanitário das lavouras e fertilidade do solo.

Para os conselheiros que acompanharam a apresentação do estudo, alguns dos principais entraves para o desenvolvimento da agroindústria são a concorrência tributária e a cadeia de insumos, já que o Rio é dependente de outros estados – o que encarece o custeio e diminui a competitividade da agroindústria fluminense.

Sobre o estudo
O relatório mapeou as principais características do agronegócio do estado por meio de fontes de dados oficiais e gratuitas. O mapeamento buscou identificar as características mais estruturais do setor para evitar possíveis distorções causadas pelos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia. Foram consideradas informações de seis pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE): a Produção Agrícola Municipal (PAM), a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), Pesquisa Trimestral do Leite, Produção de Ovos de Galinha (POG), Pesquisa Trimestral do Abate de Animais e Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). A versão final do estudo será disponibilizada em breve no site da federação.

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