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Comentário Econômico 26/06

Comentário Econômico 26/06

Bernardo Santoro, Gerente das Agências do Banco do Brasil em Nova Friburgo, avalia a Taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) Brasil

Publicado em 25/06/2021

“A última ata divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), referente à reunião realizada na semana passada, quando os juros básicos da economia foram elevados em 75 pontos-base (p.b), para 4,25% a.a. (a terceira alta consecutiva), reiterou a visão de que, apesar da segunda onda da pandemia no Brasil, os indicadores de atividade mostraram recuperação consistente, destacando que o grau de incerteza em torno da atividade reduziu significativamente.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV subiu 4,7 pontos em junho, atingindo 80,9 pontos na série com ajuste sazonal. Destaca-se que esse é o maior patamar atingido pelo indicador desde novembro do ano passado (81,7 pontos). O resultado refletiu a melhora tanto da situação atual (alta de 2,9 pontos) quanto das expectativas para os próximos meses (alta de 5,9 pontos).
Em linhas gerais, a melhora no ânimo dos consumidores se deu apesar dos desafios da atual conjuntura, sobretudo no mercado de trabalho, situação que afeta diretamente as condições de consumo e planejamento das famílias. Contudo, vale destacar que apesar de ter avançado na passagem mensal, a confiança do consumidor segue abaixo do nível pré-pandemia (87,8 pontos em fevereiro do ano passado).
Por ora, haja vista os desafios ainda presentes e considerando que os efeitos da vacinação sobre a
atividade econômica devem se intensificar a partir do segundo semestre, nosso cenário para o PIB brasileiro no segundo trimestre de 2021 é de contração de 0,2%, voltando para patamar positivo na segunda metade do ano e favorecendo o resultado anual de expansão de 5,2% da economia brasileira.
Quanto à inflação, o Comitê pontuou que os choques atuais têm se revelado mais duradouros que a perspectiva anterior. Nesse sentido, o cenário base do Banco Central aponta que “as projeções de inflação situam-se em torno de 5,8% para 2021 e 3,5% para 2022”, patamar compatível com a meta de inflação estabelecida para 2022. No entanto, assim como no comunicado da semana passada, o Copom reforçou que os riscos inflacionários provenientes do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica é um importante vetor de pressão no curto prazo, movimento que ocorre apesar do recente comportamento de apreciação cambial. Adicionalmente, foi reforçado o balanço de risco assimétrico para a inflação, em que, se de um lado, a relativa reversão dos preços de commodities pode favorecer a trajetória da inflação abaixo do projetado no horizonte relevante para a política monetária, que inclui o ano-calendário de 2022, por outro lado, a despeito da melhora nos indicadores de sustentabilidade fiscal, o uso prolongado desse instrumento contra os efeitos da pandemia pode levar a trajetória de inflação acima do esperado.
Sobre a condução da política monetária, o destaque foi o fato do Comitê ter explicitado que nesta última reunião consideraram elevar a taxa básica de juros de forma mais intensa que os 75 pontos aplicados. Para a próxima reunião, apesar da sinalização de outro ajuste de mesma magnitude, reforçou que permanece a discussão sobre um movimento mais intenso na normalização da política monetária. Diante dos pontos expostos, embora o Copom tenha reforçado o movimento de mesma magnitude (+75 p.b) para a próxima reunião, a sinalização sobre a discussão de um ajuste superior a esse coloca um viés de alta para a decisão de agosto.”

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