Crise tarifária com os EUA acende alerta para a articulação internacional brasileira

Crise tarifária com os EUA acende alerta para a articulação internacional brasileira

A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (ACIANF), por meio do presidente do Conselho Fiscal da ACIANF e Coordenador da Câmara Técnica de Comércio Exterior da Associação, Sérgio Tadeu Miranda, acompanha com atenção e preocupação os desdobramentos do recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, que elevou de 10% para 50% a alíquota de produtos brasileiros importados, especialmente itens intermediários como ferro e petróleo.

Segundo Sérgio Tadeu, a medida adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump reflete uma estratégia de negociação agressiva, típica de sua postura geopolítica. "Trump costuma usar tarifas elevadas como um gatilho para forçar países a negociar em seus termos", afirma. O Brasil, inicialmente poupado das tarifas mais duras, teria sido mantido “em observação” até que seu posicionamento internacional indicasse um movimento contrário aos interesses dos EUA.

O estopim está diretamente relacionado ao fortalecimento do BRICS e à proposta brasileira de criação de um sistema de pagamentos entre os países do bloco desvinculado do dólar – tema que ganhou força durante os encontros internacionais recentes. Para o coordenador, “a reação americana tem muito mais a ver com geopolítica do que com balanço comercial”, já que os EUA ainda mantêm superávit em sua balança com o Brasil.

A ACIANF reconhece que atitudes unilaterais que impactam diretamente o comércio internacional são prejudiciais para todas as partes envolvidas e defende o diálogo como caminho para a resolução do impasse. “Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e representam cerca de 10% das nossas exportações. Historicamente, fomos países alinhados. Um conflito prolongado pode trazer prejuízos significativos, especialmente para os setores exportadores”, alerta Sérgio Tadeu Miranda.

No entanto, o maior desafio apontado neste momento é a ausência de uma interlocução competente e legítima por parte do governo brasileiro. “Trump quer negociar com quem tem poder de decisão. Hoje, não está claro quem fala oficialmente em nome do Brasil nessa pauta. Há um vácuo de liderança técnica e diplomática preocupante, o que enfraquece a posição do país”, destaca o presidente do Conselho Fiscal da ACIANF.

A ACIANF reforça, portanto, a necessidade urgente de que o governo federal estabeleça uma frente diplomática e comercial qualificada para conduzir esse diálogo com os Estados Unidos. Resolver o impasse requer não apenas capacidade técnica, mas também articulação política eficiente, sob risco de perdas econômicas expressivas para diversos setores produtivos do país.